Eleições 2012: Constantes desentendimentos entre o PT e PSB prejudicam andamentos de programas estruturadores para Belo Horizonte.
Fonte: Cristino Martins – O Tempo
Briga entre Lacerda e Carvalho prejudica programas da PBH
Consequência. Disputa interna começou no início do mandato e culminou com ruptura em 2011
Quatro projetos, sob coordenação do vice-prefeito, não atingem metas
Muito além das declarações públicas de desafeto e dos reflexos políticos, que ainda vão se estender por toda a campanha eleitoral na capital mineira, a ruptura entre o prefeito Marcio Lacerda (PSB) e seu vice, Roberto Carvalho do PT, pode ter sido decisiva para a lenta execução de importantes projetos da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
A reportagem de O TEMPO apurou que, no início do mandato, em 2009, quatro dos programas sustentadores previstos no plano de governo “Aliança por BH” foram colocados, extraoficialmente, sob a tutela da vice-prefeitura.
Segundo um integrante do alto escalão municipal, o gabinete de Carvalho seria responsável por elaborar os programas e monitorar a execução, pelas secretarias, de políticas relacionadas aos seguintes temas: integração metropolitana, terceira idade, juventude e geração de emprego e renda.
A divisão faria parte do acordo entre petistas e socialistas para a eleição. Ao contrário do que ocorre na grande maioria das capitais, o vice não seria um personagem meramente figurativo, mas teria participação na gestão, além de estrutura e funcionários próprios.
Com diferentes versões sobre as divergências, Lacerda e Carvalho defendem que houve avanços, mas o fato é que algumas promessas de campanha e metas estabelecidas para as quatro áreas deixam bastante a desejar, a oito meses do fim do mandato (veja abaixo).
PT não se entende com PSB na Prefeitura de Belo Horizonte
Conforme o prefeito, Carvalho teve “participação discreta” no planejamento e nas reuniões gerenciais. “Pedimos uma contribuição, uma articulação nas áreas que ele já conhecia bem, mas isso não teve, de fato, continuidade. Ele seguiu uma trilha independente, um projeto pessoal”, disse Lacerda, para quem o petista “se posicionou como pré-candidato desde a primeira semana de governo”.
Já Carvalho diz que alguns projetos foram elaborados em seu gabinete, mas nega responsabilidade sobre o monitoramento das ações. Ele também nega a divisão de funções. “Recebemos todo tipo de demanda”.
O petista diz atuar ainda no relacionamento do Executivo com o governo federal e com os movimentos sociais. “Associações de aidéticos, sem-casa, estudantes, pessoal da cultura – tudo que você pensar – batem aqui, com hora marcada ou não. Oficialmente, não é atribuição nossa, mas fazemos porque sempre atuamos nessas áreas”.
A reportagem pediu detalhes sobre as metas e resultados obtidos nos quatro programas sustentadores, mas a assessoria de imprensa da prefeitura não respondeu os questionamentos e não confirmou de quem seria a responsabilidade pelo acompanhamento dos projetos.
Quadro atual
Na prática, atuação do vice-prefeito é bastante limitada
O esvaziamento da vice-prefeitura é cada vez maior. Um integrante do primeiro escalão confirmou à reportagem que o vice-prefeito Roberto Carvalho não vem sendo convocado para reuniões nem possui tarefas delegadas por Lacerda “há algum tempo”, sem dar mais detalhes. “Não tem clima. Ele brigou com todo mundo que apoia o prefeito”.
O racha foi escancarado no fim de 2011, quando Lacerda exonerou 17 servidores da vice-prefeitura. Segundo outra fonte da prefeitura, foram identificados e-mails e telefonemas partindo do local convocando militantes para ações de oposição.
“Não tinha sentido manter funcionários sem função determinada. Virou um birô da oposição”, disse. O gabinete também foi reduzido em mais da metade de seu espaço físico.
Carvalho classifica as alegações dadas à época como “muito infelizes” e afirma que, atualmente, os trabalhos estão comprometidos. “Recebemos muitas demandas diretamente no gabinete, mas perdemos as pessoas que faziam essa interlocução”, reclama.
O vice e seus assessores garantem que tentam manter os atendimentos, mas, segundo um funcionário que trabalha no mesmo andar, “o movimento caiu muito” após as exonerações. “Ele mesmo (Carvalho), tem vindo menos”, contou.
A reportagem fez duas visitas ao local na semana passada. Na primeira, estavam apenas três servidores. Na segunda, foram vistos Carvalho, cinco assessores e oito pessoas esperando atendimento na ante-sala do gabinete. (CM)
Papel oficial
Restrito. A Lei Orgânica do Município descreve, como função do vice, “substituir o prefeito nos impedimentos, sucedê-lo na vacância do cargo” e “auxiliá-lo sempre que por ele convocado para missões especiais”.
Idosos
Petista faz trabalho fora dos projetos
Uma servidora com trânsito na Coordenadoria de Direitos da Pessoa Idosa confirma que as ações voltadas à terceira idade nunca chegaram a ser submetidas ao gabinete de Carvalho. “O vice ficou responsável pelo programa, mas, pela questão política, não tem participação. Ele tem iniciativas interessantes de cultura e socialização, mas não tem presença no projeto sustentador”.
Questionado, Carvalho disse que ajudou a elaborar o programa de governo e que teve influência direta, por exemplo, num convênio estabelecido entre os asilos vicentinos e a Secretaria de Saúde.
Link da matéria: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=201586,OTE








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