Política

Presidente do Banco Central não é prudente ao avaliar que disputa eleitoral pode provocar mudanças nos rumos da economia

Começou o período do terrorismo velado, assim como na campanha presidencial de 2005/2006, começam as especulações sobre a estabilidade financeira. O presidente do Banco Central, Henrique Meireles, já utiliza a instituição para fazer política. Cadê o Banco Central autônomo? Se é autonõmo quem está à frente dele não pode fazer política. Certo? Errado, mais uma vez , o o Governo Central se utiliza dos mesmos instrumentos de fazer política que também repeliu no passado. É a era do pragmatismo.

Essa é mais uma das aberrações que existem no país. Matéria publicada em O Globo no último domingo, Meireles fez um alerta de que o ambiente de disputa eleitoral poderia provocar mudanças nos rumos da economia brasileira e afetar o mercado financeiro. Isso é um absurdo! Nenhum pré-candidato, até agora, se posicionou ou questionou a política monetária adotada pelo BancoCentral. Pode-se discordar de um ou outro aspecto pontual, mas não da base que foi criada e que tem dado sustentação à macroeconomia com estabilidade.

O PT quer difundir o mesmo discurso que apregou durante muito tempo, quando era oposição. Por conta disso, pagou muito caro e levou quase dois anos, por conta do discurso radical, para conseguir colocar a economia nos eixos. Empresas e instituições financeiras viveram um período de incertezas, recolheram a viola e aguardaram algum tempo para ver como que a banda ia passar. A banda passou e rapidamente o governo do PT percebeu que política econômica não se faz com radicalismo, mas sim com ação política e institucional.

Muito espanta, o presidente do Banco Central vir agora com este discurso, meses antes das eleições.  As mensagens são cifradas e pelo jeito vai valer tudo para permanecer no poder. Isso não é democrático, é necessário avançar no campos das idéias, dos bons debates sobre temas que norteiam a vida nacional. O que realmente dá medo é o aparelhamento do Estado, e a política do vale-tudo para que se perpertue no poder. É preciso estar atento ao que se diz nas entelinhas, se Meireles não teve intenção, pelo menos, não foi prudente como o cargo exige. Abaixo trecho da entrevista de Henrique Meireles a O Globo.

Vale lembrar que o presidente do Banco Central, recentemente, se filiou ao PMDB.

Temor de mudanças da política econômica provocaria incertezas

Fonte: Patrícia Duarte e Sergio Fadul – Jornal O Globo

Após avaliar que o país cresce em bases sólidas e sustentáveis, o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que o principal fator de tensão e preocupação na economia não será externo, como nos últimos 15 meses de crise global, mas as eleições de 2010. Numa análise fria e realista, afirma que os temores de mudanças nos rumos da política econômica provocarão incertezas. São remotas, no entanto, as chances de o Brasil viver um novo 2002, quando Lula foi eleito para o primeiro mandato e o país mergulhou numa crise, afirmou Meirelles em entrevista a PATRÍCIA DUARTE e SERGIO FADUL. Para ele, o Brasil está mais sólido, mas, diante da inquietação que está por vir com as eleições, avisa que o BC não hesitará e dispõe de um arsenal para combater distorções. Sobre o seu futuro, Meirelles faz mistério: diz que não é político, mas poderá ser a partir do fim de março. E admite até voltar à iniciativa privada.

Henrique Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, encerrou a semana passada com o semblante que não disfarçava o cansaço. O discurso, porém, era de satisfação pelos resultados colhidos no difícil ano de resgate da crise internacional e de grande entusiasmo com as perspectivas futuras para o Brasil, apesar do desempenho do PIB no terceiro trimestre (1,3%), bem abaixo das expectativas do mercado e do governo. Mas ele deixa claro que, ao primeiro sinal de superaquecimento da economia, o BC atuará. Meirelles não diz, mas o recado é claro: nessas horas o instrumento clássico é subir os juros. Para ele, o principal fator de tensão e preocupação no horizonte em 2010 não será externo, como nos últimos 15 meses, mas exatamente as eleições que se aproximam. Os temores de mudanças nos rumos da política econômica provocarão incertezas, diz. Para Meirelles, no entanto, são remotas as chances de o país viver um novo 2002, quando Lula foi eleito para o primeiro mandato presidencial e o país mergulhou numa crise. O Brasil está mais sólido, mas diante da inquietação que está por vir com as eleições, avisa que o BC não hesitará e dispõe de um arsenal pesado para combater distorções. O presidente do BC deixa ainda transparecer viver um dilema pessoal entre retomar a carreira política ou continuar à frente do BC até o fim de 2010

Qual a maior preocupação no horizonte para o ano que vem, o que vai provocar tensão na economia? O cenário externo, como foi em 2009, ou o cenário interno? MEIRELLES: Acho que o cenário interno tenderá a gerar mais tensão no ano de 2010.  Por que?

MEIRELLES: É normal que num ano eleitoral sempre exista um pouco mais de preocupação com o futuro.

Diante dos candidatos que estão colocados até o momento?

MEIRELLES: Em qualquer circunstância, em qualquer ano eleitoral, sempre um processo de mudança gera algumas perguntas. Isso é normal. A palavra que eles (mercado) dizem, um pouquinho mais de tensão, é resultado da incerteza. Mas, evidentemente, estamos preparados, e o Banco Central está muito bem equipado para manter o equilíbrio normalmente. Do ponto de vista do resultado, não me preocupa. O Brasil vai crescer de forma equilibrada, e o BC tem todos os instrumentos para manter esse equilíbrio.

O senhor prevê que o risco de termos distorções profundas nos indicadores econômicos como nas eleições de 2002 de novo é menor?

MEIRELLES: É muito baixo. Vamos devagar. Estamos falando de duas coisas diferentes. O risco de termos 2002 é remoto, para não dizer que não existe. Banqueiro central nunca diz que não existe risco. É remoto porque o Brasil tem reservas internacionais de US$ 240 bilhões, estará recebendo mais de US$ 40 bilhões em investimentos externos durante 2010, o Brasil está crescendo, a inflação está na meta, a dívida pública está próxima a 40% do PIB, não há dívida dolarizada, o Tesouro Nacional é credor internacional. Então é uma situação estrutural completamente diferente daquela época. Por outro lado, o que se coloca de preocupação não é isso, de ter uma crise em 2010. A preocupação é se poderia ou não haver, dependendo de quem seria o próximo presidente, uma mudança de política econômica. O que eu digo no mundo inteiro é que acho que não há espaço hoje na sociedade brasileira para mudança de política econômica em virtude dos ganhos trazidos pela estabilidade.

E o senhor, nas eleições, estará no ataque (disputando o pleito) ou na defesa (no BC)?

MEIRELLES: Espero tomar essa decisão na segunda quinzena de março de 2010. É quando vou começar a pensar nesse assunto.

Link da matéria completa : http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/20/meirelles-eleicao-pode-gerar-tensao-na-economia-em-2010/?searchterm=Banco%20Central

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