Editor da Veja é agredido por “lobista” do Ministério da Agricultura
Fonte: Anderson Scardoelli - Portal Comunique-se
Entrevistar o empresário Júlio Fróes, durante o fim da tarde da última quinta-feira (4/8), não foi um bom negócio para Rodrigo Rangel, editor da sucursal da Veja em Brasília. Após ser ameaçado por Fróes, que é tido pela revista como lobista (pessoa, geralmente empresário, que visa ter benefícos por meio da política, subornando e ameaçando funcionários do executivo e legislativo) no Ministério da Agricultura, e, sem sucesso, tentar encerrar a conversa que acontecia em um dos restaurantes da capital federal, o jornalista foi agredido e teve um dos dentes quebrado.
Jornalismo, ameaça e agressão
Na edição desta semana, a Veja destaca a atitude agressiva de Fróes na seção “Carta ao Leitor”, que coincidentemente, na semana passada, abordou o trabalho da equipe do veículo em Brasília, que foi citada como “a sentinela avançada da luta contra a corrupção por meio de reportagens investigativas”. A revista afirma que o profissional cumpriu o papel do jornalismo, que era ouvir o “lobista”, citado em uma matéria da publicação como o responsável por manipular licitações do Ministério da Agricultura e subornar funcionários públicos.De acordo com a própria revista, Fróes não aceitou ser questionado por Rangel sobre os benefícios que aparentemente tem dentro da pasta comandada por Wagner Rossi (PMDB) e ameaçou o jornalista, perguntando se ele tinha esposa e filhos. Tendo em mãos a entrevista que durou meia-hora e foi totalmente gravada, o editor tentou ir embora, mas foi puxado pelo braço, recebeu uma gravata, joelhadas na barriga e foi arremessado contra uma mesa. Não satisfeito, o agressor roubou o bloco de anotações do funcionário da Veja.
Caso de polícia
A revista informa que a agressão ao jornalista foi testemunhada por clientes e funcionários do restaurante onde a entrevista foi realizada. O caso foi comunicado à polícia local e o editor Rodrigo Rangel fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Brasília.Revolta dos colegas da Veja
O episódio envolvendo o jornalista causou indignação nos demais profissionais do veículo de comunicação. O blogueiro de maior audiência da Veja.com, Reinaldo Azevedo, afirmou que “Corruptos não gostam de jornalistas como Rodrigo Rangel e de uma revista como VEJA, mas os leitores e o Brasil gostam”.Também presente no site da revista, Ricardo Setti escreveu que Rangel foi agredido “por fazer bom jornalismo”.
Link da matéria: http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D59377%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D182304004%26fnt%3Dfntnl
agressão física
Jornalista de VEJA é agredido por lobista ao investigar falcatruas no Ministério da Agricultura
Fonte: Coluna do Ricardo Setti – Blog em Veja online
O editor Rodrigo Rangel: agredido por fazer bom jornalismo
Amigos, por sua importância, em todos os sentidos, publico hoje a “Carta ao Leitor” da edição de VEJA que está indo hoje a grande parte das bancas e a grande parte de seus assinantes em todo o país. O título original é “A agressão do ‘doutor Júlio’”.
Ao longo de quase 43 anos de existência, VEJA teve de driblar a censura da ditadura militar, foi ameaçada por extremistas de direita e de esquerda e tornou-se alvo de campanhas difamatórias promovidas por mercenários da escrita bancados pelo governo petista.
Na semana passada [na semana que termina amanhã, domingo, dia 7], em Brasília, o ataque deu-se no nível da agressão física a um jornalista de VEJA. No fim da tarde da última quinta-feira, o editor Rodrigo Rangel, da sucursal da revista na capital do país, cumpria uma das obrigações elementares do bom jornalismo: ouvir o outro lado da história.
A história em questão tem como personagem principal o lobista Júlio Fróes. Como revela a reportagem que começa na página 64 desta edição [da revista impressa], Fróes montou sua base de operações no Ministério da Agricultura. Ali, manipulava licitações para beneficiar empresas e subornava funcionários públicos com “pacotes de dinheiro”. Tudo com o aval e o conhecimento dos graúdos que cercam o ministro Wagner Rossi. O lobista, embora não tenha nenhum vínculo formal com o Ministério da Agricultura, gozava de tratamento vip, como usar a entrada e o elevador privativos do ministro. Na repartição, era conhecido como “doutor Júlio”.
O jornalista de VEJA foi entrevistar o “doutor” num restaurante, para tentar entender a origem de tantos privilégios. A conversa durou trinta minutos. Confrontado com os fatos apresentados por Rangel, o lobista Fróes, sem poder refutá-los, passou a fazer ameaças. Perguntou se o jornalista tinha mulher e filhos. Nesse ponto, Rangel achou mais prudente dar a entrevista — integralmente gravada — por encerrada.
Quando ele se levantou da mesa, porém, Fróes puxou-o pelo braço, aplicou-lhe uma gravata e joelhadas na barriga e no rosto. Rangel foi jogado contra uma mesa. Antes de fugir, o “doutor” ainda roubou o bloco de anotações do repórter. A agressão, testemunhada por mais de uma dezena de clientes e funcionários do restaurante, foi comunicada à polícia. O jornalista, com um dente quebrado, fez exame no Instituto Médico-Legal.
Ao longo de quase 43 anos de existência, VEJA ultrapassou toda sorte de obstáculo para exercer sua missão de fiscalizar o poder e denunciar os que subtraem a nação. Não será a violência física do “doutor Júlio” que mudará essa história.
Pela liberdade de expressão: Lobista identificado pela Veja agride editor da revista, de acordo com denúncias ele atua no Ministério da Agricultura do Governo do PT
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