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Para inglês ver: Blairo Maggi é indicado para assumir ministério dos Transportes, ex-diretor do DNIT afastado por suspeita de corrupção foi indicação do senador do PR

PR indica Maggi para pasta do Transporte e governo se cala

Fonte: O Tempo

Oficialização da indicação do partido será feita em alguns dias 

Brasília. Os líderes das bancadas do PR no Congresso decidiram, na tarde de ontem, indicar o senador Blairo Maggi para comandar o Ministério dos Transportes. Alfredo Nascimento deixou o cargo na quarta-feira, após denúncias da revista “Veja” de superfaturamento em obras.

O nome de Maggi foi definido em um encontro, que teve a presença, além do próprio Maggi, do ex-ministro Alfredo Nascimento e dos líderes do PR no Senado, Magno Malta (ES), e na Câmara, Lincoln Portela (MG). O governo federal aguarda a indicação sem se pronunciar.

“O Blairo é o número um da lista do partido. É claro que a decisão é da presidente Dilma, mas os sinais que o governo deu é de que o PR poderia fazer a indicação. E vamos levar para ela o nome do Blairo”, afirmou Portela.

Maggi indicou para a pasta dos Transportes Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), que caiu na esteira da crise. Ontem, Maggi disse que existe apenas “uma sondagem”. “Não há nada formalizado”, afirmou.

Além de indicar o nome de Blairo Maggi para o cargo, os líderes também definiram que o ex-ministro Alfredo Nascimento e o deputado federal Valdemar Costa Neto (SP) não vão participar das negociações com a presidente Dilma Rousseff para a escolha do novo comandante da pasta. Ambos foram citados na reportagem que detalhou um suposto esquema de superfaturamento em obras no ministério.

Nascimento chegou a ser confirmado como principal articulador do PR para a escolha do sucessor, logo depois de deixar o cargo. Segundo o líder do PR, a decisão de não atuar nas negociações foi do próprio ex-ministro. “O Alfredo está muito entristecido. Ele abriu seu sigilo fiscal, bancário e por esses motivos todos acharam melhor ele ficar fora da decisão. Ele não quer participar das indicações, apesar de voltar à presidência do PR e ao Senado. Nem ele nem o Valdemar”, disse Portela.

Segundo Portela, a indicação de Maggi deve ser entregue nos próximos dias para Dilma. Enquanto o nome do novo ministro não é confirmado, a pasta está sob o comando interino de Paulo Passo (PR), que não tem apoio dos líderes da sigla para se manter no cargo.

Bancada de Minas quer indicar mineiro à frente de ministério
Brasília. Deputados federais de Minas já se movimentam para que a presidente Dilma Rousseff escolha um mineiro para ocupar o cargo de ministro dos Transportes.

Como a cadeira deve permanecer com o PR, parlamentares mineiros têm dois nomes: o senador Clésio Andrade e o deputado federal Jaime Martins. A opção por um quadro mineiro marcaria o início da recuperação, no cenário político nacional, do prestígio de Minas, o qual, no entendimento dos deputados, vem diminuindo a cada ano.

O deputado federal Diego Andrade (PR-MG) diz que Dilma “precisa olhar com carinho Minas”. Para ele, é urgente a posse de um ministro mineiro. O deputado petista Padre João corrobora a tese e defende a indicação de Clésio.(Telmo Fadul)

Bate e assopra
Brasília. Ciente do poder de pressão e cobrança do PR com seus 41 deputados e sete senadores, a presidente Dilma Rousseff mandou mensagens de paz ao ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento.

Ontem, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, quando o grau de insatisfação no PR e de ameaças veladas de seus dirigentes e apadrinhados já estava alto, afirmou que Nascimento tem a consideração de Dilma. Tanto que, disse Ideli, a presidente havia determinado que ele próprio comandasse a apuração das irregularidades nos departamentos da pasta.

“O ministro Nascimento, em primeiro lugar, é uma pessoa que esteve à frente da pasta durante muito tempo. Prestou serviços que sempre foram levados em consideração pela presidente. Então, eu acredito que não há, da parte da presidente, nenhuma situação que coloque o ministro Nascimento sem condições de fazer sugestões, indicações, inclusive como presidente do partido. Agora, a decisão é dela (Dilma)”.

No estilo “bate e assopra”, a ministra disse que o governo está solidário com o ex-ministro.

Senado
Nascimento retoma vaga à distância 

Brasília. O ex-ministro Alfredo Nascimento não terá vida fácil na sua volta ao Senado. No mesmo dia em que reassumiu seu mandato de senador, a pressão para que Nascimento se explique aumentou. “Ele (Nascimento) deve justamente dar explicações à Casa porque até agora são só acusações. Ele tem que explicá-las. Como senador, era bom que o fizesse no plenário”, disse o presidente do Senado, José Sarney.

Nascimento reassumiu seu mandato como senador ontem. O retorno foi automático, depois de deixar o cargo no Executivo, sem a necessidade do ex-ministro comparecer à Casa para reassumir sua cadeira.

Segundo a Secretaria-Geral da Mesa do Senado, a posse só é necessária na primeira vez em que um senador chega à Casa. Como Nascimento assumiu o mandato em 2007, o retorno é automático.

Escândalo
Pagot irá ao Senado na terça e promete “esclarecer”o caso
Todos os contratos tiveram a aprovação dada pelo Ministério dos Transportes”

Brasília.O diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, foi convocado a comparecer no Senado na próxima terça-feira para explicar as denúncias que atingiram o Ministério dos Transportes e culminaram com a queda do ex-ministro Alfredo Nascimento.

Ontem, Pagot não só confirmou que irá à Casa como disse, ainda, que, após dar explicações “ao Congresso Nacional, as coisas vão muito ficar claras”.

Pagot está afastado do cargo desde sábado por determinação do ex-ministro Alfredo Nascimento. Entretanto, ele foi apenas afastado, e não exonerado. Além disso, Pagot está de férias desde anteontem. “Só vou me manifestar depois de fazer minha exposição de motivos na Câmara e no Senado. Mas tenho certeza de que depois das minhas falas, as coisas vão ficar muito claras, tenho convicção disso, vão ficar muito claras”, argumentou.

“Decisão colegiada”. Perguntado se estaria convicto da legalidade das ações adotadas por sua gestão no órgão, Pagot disse que as ações do departamento são “colegiadas” e submetidas a um conjunto de ações de monitoramento. “Tenho convicção da correção das minhas ações, estou no Dnit desde outubro de 2007, as decisões do Dnit são decisões colegiadas. O Dnit não faz políticas públicas, ele executa políticas públicas definidas”, afirmou Pagot, em entrevista ao site “G1”.

Sobre a sucessão de aditivos em obras da pasta, um dos pontos apontados nas denúncias como indícios de superfaturamento, Pagot diz que todas as ações do Dnit foram submetidas ao orçamento do Ministério dos Transporte. “Obrigatoriamente, todos os projetos e obras têm que constar do orçamento. E esses orçamentos têm aprovação do ministério. A pasta tem uma secretaria especial que faz acompanhamento dos projetos e tudo faz parte de uma decisão colegiada. Nós cumprimos o orçamento que é aprovado”, explicou.

Pagot ainda listou uma série de diretorias que influenciam na elaboração de projetos para execução de obras, metodologia de trabalho que tornaria muito complicada a tentativa de superfaturar obras. “Os projetos nascem dentro das diretorias”, afirmou Luiz Pagot.

CGU apreende computadores para auditoria

Brasília. A Controladoria Geral da União (CGU) começou ontem a recolher computadores do Ministério dos Transportes para apurar as suspeitas de corrupção.

A previsão é que sejam recolhidos oito computadores para análise dos dados por oito auditores. A auditoria será concluída até 31 de agosto.

A CGU vai investigar equipamentos que serão recolhidos, também, nas sedes do Dnit e da estatal Valec.

Críticas
Aécio vê início negativo do governo Dilma

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou ontem que o primeiro semestre do governo de Dilma Rousseff é “extremamente negativo”. “Talvez o mais negativo do que qualquer governo da nossa história política recente tenha tido”, disse o tucano.

Em encontro com os tucanos Sérgio Guerra e Tasso Jereissati, em Belo Horizonte, ele criticou o que chamou de “abdicação de responsabilidade da Presidência da República em relação aos seus aliados”.

“Eu vejo uma tentativa de setores do PT de lavarem as mãos e dizerem que não têm nada com isso”, criticou o senador, ao ser questionado sobre a crise no Ministério dos Transportes. (Aline Labbate)

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