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O Globo: 'Eu e Dirceu somos irmãos siameses, o que der para ele no julgamento do mensalão, dá para mim', diz Roberto Jefferson

Roberto Jefferson se compara a José Dirceu no mensalão, e ex-ministro diz que acusações de Gurgel são meras ilações

Fonte: Juliana Castro e Thiago Herdy – O Globo com Agência Senado e Valor Online

Réus

Roberto Jefferson diz que há outros inocentes como réus no parecer de Gurgel. Foto: Marcelo Carnaval  12/02/2008RIO, BRASÍLIA e BELO HORIZONTE – Pivô do maior escândalo do governo Lula, o deputado cassado Roberto Jefferson comentou, nesta sexta-feira, o parecer final do procurador-geral da República , Roberto Gurgel, sobre o escândalo do mensalão. Jefferson diz que sua pena estará diretamente ligada à punição aplicada ao ex-ministro José Dirceu. Ele concorda com absolvição do ex-ministro de comunicação Luiz Gushiken e afirma que ainda há outros inocentes na lista de réus, mas não diz os nomes. Já o ex-ministro José Dirceu considerou as acusações de Gurgel “meras ilações” e disse, em seu blog, que “continuará se defendendo ainda com mais ânimo e dedicação”.
– Meu advogado já disse: “você e Dirceu são irmãos siameses. O que der para o Dirceu dá para você”. Então, é isso: o que der para ele, dá para mim – diz Roberto Jefferson.

O deputado cassado também comenta que não estar preparado para qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Se eles me condenarem por crime eleitoral, eu não tenho o que discutir. Mas não aceito essa denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro

– Se eles me condenarem por crime eleitoral, eu não tenho o que discutir. Mas não aceito essa denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro. Se for culpado por essa denúncia, eu me rebelo. Não fiz isso. Não podem me empurrar nesse mesmo bolo – revolta-se.

– Mas minha linha de defesa é muito clara. Admito o delito de caixa dois, mas não fiz mensalão. Não aluguei minha bancada. Fiz caixa dois de campanha, mas mensalão eu não deixei entrar no meu partido. Não permiti que esse dinheiro contaminasse minha bancada. Eu mantenho tudo o que eu disse – garante.

Sobre a absolvição de Luiz Gushiken, ele disse:

– Nunca ouvi dizer que ele tivesse envolvido no mensalão. Tem muita gente inocente ali (na lista de réus do processo).

Em seu blog, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu diz que o parecer final do procurador-geral da República não traz qualquer prova material ou testemunhal contra ele. “São meras ilações extraídas de sua interpretação peculiar sobre minha biografia”, afirma

Dirceu diz ainda que continuará se defendendo “ainda com mais ânimo e dedicação”. “Não o faço apenas para demonstrar minha inocência, submetido à agressão constitucional de inversão do ônus da prova, graças à fusão de interesses conservadores. Lutarei com ainda mais energia, porque o que está em jogo, acima da minha honra e liberdade, é a imagem do Partido dos Trabalhadores e do projeto de transformação social que representa”, escreveu.

O petista conclui que confia no Supremo Tribunal Federal:

“Sou inocente das acusações que me fazem e vou prová-lo no STF, corte que, confio, julgará a ação com base nos autos e nas provas, na Constituição e na lei. Vou aguardar o julgamento com serenidade, pois sei que, ao final desse doloroso processo, se imporá a justiça e cairá por terra a farsa montada contra mim.”

LEIA MAISConfira a entrevista completa com Roberto Jefferson

João Paulo Cunha diz que alegações não trazem nada de novo

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) minimizou as alegações finais da Procuradoria-Geral da República no processo do mensalão, enviadas ao Supremo Tribunal Federal na quinta-feira. Cunha, atualmente presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, é um dos réus do processo, sendo acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

Segundo Cunha, em nota divulgada nesta sexta , “as posições do Procurador Geral da República, contidas nas suas alegações finais do chamado mensalão, não trazem nenhuma novidade jurídica ou política. Sua peça segue a orientação definida pelo antigo procurador, quando da denúncia do caso em 2006”.

O deputado diz ainda que terá agora a oportunidade de apresentar sua defesa e que “não existe nos autos do meu processo nenhuma prova material ou testemunhal que corrobore as acusações contra mim”. Ele alega ainda que passou pelo julgamento das urnas, tendo sido eleito na última eleição.

Advogado de Gushiken comemora decisão do procurador-geral da República

O advogado de Luiz Gushiken, José Roberto Leal de Carvalho, comemorou a decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de não recomendar a condenação do ex-ministro da Comunicação Social do governo Lula. Dos 38 réus citados no escândalo do mensalão, Gushiken se livrou do pedido de condenação por falta de provas.

– O procurador-geral acabou reconhecendo aquilo que eu já afirmava por ocasião do recebimento da denúncia. Pronunciei uma frase nesse julgamento dizendo que não admitia um estado leviano. Cheguei a dizer que confiava plenamente no pedido de arquivamento – disse Leal de Carvalho.

Depois do envio das alegações finais da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal, caberá aos ministros da Corte o julgamento dos envolvidos no mensalão. Segundo o advogado, a tendência é que os ministros acompanhem o parecer de Gurgel.

– Eles podem até condenar [Luiz Gushiken], mas, sinceramente, não acredito que isso possa ocorrer – explicou.

Gushiken foi ministro de Comunicação Social no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi acusado de envolvimento no mensalão, suposto esquema de pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político ao governo.

Defesa de Marcos Valério crê em absolvição

O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, disse não ter tido ainda acesso à integra das alegações finais do procurador-geral, mas ainda assim não considera novidade a manutenção do pedido de condenação de seu cliente.

– Como órgão oficial de acusação, naturalmente eles iriam pedir a acusação, até para preservar a coerência do órgão – disse o advogado, que terá até 30 de agosto para apresentar as alegações finais da defesa.

Marcelo Leonardo se disse convencido de que “as provas colhidas durante a instrução criminal são amplamente favoráveis à defesa”, e por isso acredita na absolvição de Valério.

– Entre as 600 testemunhas ouvidas, nenhuma afirmou que parlamentares e integrantes da base aliada tivessem votado porque receberam dinheiro. Essa afirmação ficou circunscrita na pessoa do acusado e réu Roberto Jefferson.

O advogado também negou haver prova de corrupção ou de uso de recursos públicos para fins escusos:

– Todos os ouvidos disseram que pagamentos realizados eram valores de ajuste entre a base aliada para efeito de campanha eleitoral – concluiu.

Advogado de Genoino diz que não há provas contra cliente

O advogado do ex-presidente do PT José Genoino, Luiz Fernando Pacheco, também ressaltou que não há nenhuma prova contra o seu cliente.

– O pagamento de deputados e políticos para votar projetos de interesse do governo federal não só não ocorria como não há nada que vincule o Genoino a qualquer coisa nesse sentido – afirmou Pacheco. Segundo Gurgel, Genoino era “interlocutor político do grupo criminoso” responsável pelos acordos com outros partidos.

Pacheco argumentou que não havia crime nos atos de Genoino.

– De fato, ele era o interlocutor político. Isso não é crime. Ele exercia o mais alto cargo do partido do governo [era presidente do PT], mas nunca envolvendo qualquer ato ilícito – disse o advogado.

Com o nome envolvido atualmente no escândalo que derrubou toda a cúpula do Ministério dos Transportes, sobre um suposto esquema de cobrança de propina, o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) preferiu não comentar o parecer. Por meio de sua assessoria, o parlamentar “reitera sua posição de não comentar manifestações do Ministério Público em respeito à autonomia e independência daquele órgão”.

Em seu parecer ao STF, Gurgel pediu a condenação de 36 dos 38 envolvidos no mensalão. Entre os 36 estão ainda o publicitário Duda Mendonça, os petistas Delúbio Soares e João Paulo Cunha; e o deputado do PR Valdemar Costa Neto. Gurgel pediu ao STF a absolvição do ex-ministro Luiz Gushiken e de Antônio Lamas, ex-assessor do deputado Costa Neto. José Janene, outro acusado de envolvimento no esquema, morreu. Já o petista Silvio Pereira fez acordo de prestação de serviços para se livrar do julgamento.

O procurador-geral Roberto Gurgel entregou o parecer ao relator do caso no STF, o ministro Joaquim Barbosa, ontem, um dia depois de ser reconduzido ao cargo por indicação da presidente Dilma Roussef. Gurgel está no comando da Procuradoria Geral da República desde julho de 2009.

Banco Rural diz que acusação do mensalão contra executivos é um ‘equivoco’

Em nota, o Banco Rural informou nesta sexta-feira que busca demonstrar à Justiça que a acusação no processo do mensalão do PT contra quatro de seus executivos é um “equivoco e não se sustenta”. Segundo as alegações finais do Ministério Público no processo, as provas comprovam práticas “do delito de gestão fraudulenta” pelos dirigentes Vinicius Samarane, Ayanna Tenório, José Roberto Salgado e Kátia Rabello.

O crime teria constituído na concessão e renovação de empréstimos fictícios que serviam para financiar o esquema ilícito de compra de votos, e também na adoção fraudulenta para impedir que os fatos fossem descobertos. O valor total soma R$ 32 milhões.

Segundo o banco, os empréstimos foram feitos de acordo com as práticas de mercado. “A veracidade desses empréstimos já foi reconhecida, inclusive, em perícia oficial desse processo”, diz a nota.

Leia a nota na íntegra:

“A respeito das alegações finais apresentadas pela Procuradoria Geral da República no caso “Mensalão”, o Banco Rural entende, e está tratando de demonstrá-lo na Justiça, que a manutenção das acusações contra quatro de seus executivos à época é um equívoco e não se sustenta.

O processo do “Mensalão” trata de duas questões de natureza muito distintas. Uma diz respeito a práticas políticas. A outra, na qual se inserem as acusações contra executivos do Rural, refere-se a supostas irregularidades em práticas bancárias, questões de natureza técnica e periféricas no processo. A esse respeito, a acusação contesta, por exemplo, a veracidade de determinados empréstimos concedidos pelo Banco, os quais, no entanto, foram feitos de acordo com as práticas de mercado e as normas bancárias. A veracidade desses empréstimos já foi reconhecida, inclusive, em perícia oficial desse processo.

O Banco tem colaborado e cooperado plenamente com as autoridades desde o início das investigações para o esclarecimento de todos esses fatos e reafirma sua confiança na Justiça.”

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