Política

Cunha vai ser cassado, e aliados estudam manobras

Maioria absoluta dos deputados federais já declarou que votará pela cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na sessão de 12 de setembro.

Questionado pelo GLOBO sobre o resultado da enquete, o deputado Eduardo Cunha respondeu que segue trabalhando por sua absolvição.

Fonte:O Globo

Enquete do GLOBO mostra que há votos suficientes para cassar Cunha

Procurados, 261 deputados declararam que votarão pela perda do mandato

O deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - Agência O Globo/6-8-2015 / Givaldo Barbosa
O deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – Agência O Globo/6-8-2015 / Givaldo Barbosa

BRASÍLIA — A maioria absoluta dos deputados federais já declarou que votará pela cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na sessão que está marcada para a próxima segunda-feira, dia 12 de setembro. Até as 9h desta quinta-feira, 261 deputados declararam ao GLOBO que votarão pela perda de mandato do parlamentar. O número de votos necessários para a cassação é 257. (INFOGRÁFICO: VEJA A INTENÇÃO DE VOTO DE CADA DEPUTADO)

O GLOBO procurou todos os 511 deputados que votarão, diretamente ou por meio de seus gabinetes. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não vota. A enquete do jornal apontou no início da manhã que 231 deputados tinham declarado voto pela cassação. Ao longo do dia, outros 26 parlamentares confirmaram à reportagem o apoio à perda do mandato do colega.

Questionado pelo GLOBO sobre o resultado da enquete, o deputado Eduardo Cunha respondeu que segue trabalhando por sua absolvição.

– Continuo trabalhando e acreditando na absolvição – respondeu Cunha, por mensagem.

Ele não quis se posicionar sobre a defesa feita por aliados seus de uma pena alternativa ou do fatiamento da votação para que, ao menos, mantenha seus direitos políticos.

– Nada mais a falar pelo momento – afirmou.

Questionado pelo GLOBO sobre o resultado da enquete, o deputado Eduardo Cunha respondeu que segue trabalhando por sua absolvição

– Continuo trabalhando e acreditando na absolvição – respondeu Cunha, por mensagem.

Ele não quis se posicionar sobre a defesa feita por aliados seus de uma pena alternativa ou do fatiamento da votação para que, ao menos, mantenha seus direitos políticos.

– Nada mais a falar pelo momento – afirmou.

Até o momento, somente três parlamentares afirmaram que votarão contra a cassação — Arthur Lira (PP-BA), Carlos Marun (PMDB-MS) e João Carlos Bacelar (PR-BA) —, e outros 34 admitiram que podem se ausentar na sessão que definirá o destino do parlamentar. As ausências podem ajudar Cunha.

Do total, 217 deputados não responderam à enquete, se recusando a declarar o voto ou não retornando os contatos feito pelo GLOBO. Estão nesse grupo ainda os que não foram localizados pessoalmente nem por meio de ligações feitas aos gabinetes em horário comercial.

Alguns dos parlamentares que declararam o voto nesta quarta-feira ressaltaram que a posição já está tomada há muito tempo.

— Estarei presente e serei favorável à cassação. Eu, inclusive, sou um dos deputados que já assinaram o apoiamento à representação no ano passado —afirmou César Messias (PSB-AC).

— Eu já tinha dado declarações nessa linha. Não vamos fechar questão no PSDB, cada um vota com sua consciência, mas meu voto será pela cassação — afirmou o líder tucano, Antonio Imbassahy (BA).

 

Apesar da maré desfavorável, Cunha e aliados articulam pena alternativa

Em levantamento, 260 deputados dizem que votarão pela perda do mandato de Cunha

Fonte: O Globo

BRASÍLIA — Apesar da maré desfavorável, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e seus aliados continuam articulando uma forma de aprovar em plenário uma pena alternativa à cassação do mandato. A maioria absoluta dos deputados federais já declarou que votará pela cassação do mandato do peemedebista, na sessão marcada para a próxima segunda-feira, 12 de setembro. Até o início da noite de quarta-feira, 261 parlamentares declararam ao GLOBO que dirão sim à perda de mandato do parlamentar — três a mais que os 257 necessários.

Os aliados de Cunha, porém, usam como argumento o julgamento no Senado da ex-presidente Dilma Rousseff, que a tirou da presidência, mas deixou-a elegível para cargos públicos. Caso a tese do fatiamento prospere, pode haver mudança no caso de Cunha: entre os que não definiram sua posição sobre a cassação do mandato do peemedebista. Vários dizem que concordariam com uma pena mais branda ou com a manutenção dos direitos políticos dele.

A votação do impeachment deu novo ânimo aos defensores do deputado, que agora entendem que são possíveis emendas e destaques ao relatório aprovado no Conselho de Ética. Caso esse entendimento prevaleça, pode ser aprovada uma pena mais branda, como a suspensão do mandato por meses ou a cassação, sem a perda dos direitos políticos por oito anos. Na quarta-feira, Cunha passou o dia em telefonemas para deputados.

O líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), que até pouco tempo atrás era um dos mais próximos aliados de Cunha, disse que comparecerá à votação de segunda-feira, mas não quer antecipar seu voto. O deputado disse que, apesar de ver “indícios” contra Cunha, deve ser considerada a existência de “falhas regimentais” no processo.

Moura afirmou ainda que a decisão no Senado de fatiar o julgamento de Dilma no impeachment “abre caminho” para a construção de alternativas à cassação do mandato de Cunha:

— A decisão do fatiamento no Senado deixa o caminho aberto a ser percorrido, não só para Eduardo, mas também para qualquer outro. Ficou uma brecha que abre alternativas para o processo de Eduardo. Estou pesando uma série de coisas. Temos que reconhecer que o processo tem acertos, mas também tem erros. No Judiciário, leva-se em consideração fatos, indícios, mas também o rito. E, regimentalmente, existem falhas na tramitação, não resta dúvida — afirmou Moura.

Um dos parlamentares fiéis a Cunha, Arthur Lira (PP-AL), aliado do ex-presidente da Câmara, defendeu, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, a votação em plenário de um projeto de resolução — ao invés do relatório do Conselho de Ética, aprovado em 14 de junho e que recomenda a cassação do mandato. Isso abriria caminho para salvar Cunha da perda do mandato.

Questionado sobre o resultado da enquete, Cunha respondeu que segue trabalhando para se salvar.

— Continuo trabalhando e acreditando na absolvição — respondeu por mensagem.

Cunha não se posicionou sobre a defesa feita por seus aliados de uma pena alternativa ou do fatiamento da votação para que, ao menos, mantenha seus direitos políticos.

— Nada mais a falar pelo momento — afirmou.

Apesar da situação complicada, o placar não é mais amplo porque Cunha mantém aliados fiéis em partidos do centrão e no PMDB, partido ao qual é filiado. O bloco de resistência de Cunha se concentra nos seguintes partidos: PMDB, PP, PR, PSD, PRB, PTB e SD. Só no PMDB e no PP, cerca de 80% dos deputados não se declararam a favor da cassação.

O líder do PMDB, Baleia Rossi (SP), preferiu não comentar o resultado da enquete. Disse que estará presente na segunda-feira, no momento da votação, mas não quis antecipar seu voto, alegando que não quer influenciar a bancada. Afirmou que o assunto não foi debatido entre os peemedebistas e que não haverá orientação da liderança para esta votação:

— A bancada é muito grande e não debatemos isso. Cada deputado vai ser um juiz e tem que votar de acordo com sua consciência. É uma decisão de cada deputado. Não cabe, nesse caso, trabalho da liderança. Vou na segunda-feira, mas não tenho voto declarado porque não quero influenciar de alguma maneira meus companheiros.

TIA ERON NÃO DECLARA VOTO

Correligionário de Cunha, Valtenir Pereira (PMDB-MT), favorável à cassação, mostrou-se descrente com qualquer possibilidade de Cunha escapar:

— A vida do Eduardo é uma vida curta porque, se ele escapar da Câmara, não deve escapar do Supremo. Não acho que vá ter essa cisão no julgamento, mas não mudaria o meu voto em função disso — disse o deputado.

Alguns parlamentares preferiram manter o suspense. Responsável pelo voto decisivo que levou à aprovação do parecer pela cassação no Conselho de Ética, Tia Eron (PRB-BA) resolveu não declarar como votará em plenário.

— Não vou declarar. Vamos seguir com o mesmo posicionamento que tive no Conselho, de não adiantar para evitar qualquer tipo de barganha ou de proposta — disse a deputada.

 

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