Política

Acrônimo chega a homem de confiança de Pimentel quando era ministro

PF deflagrou no fase da Acrônimo. Delação do empresário Benedito Oliveira, o Bené, aproxima João Nogueira da Odebrecht de Eduardo Serrano.

Serrana foi chefe de gabinete de Fernando Pimentel no Ministério da Indústria e Comércio

Fonte: O Globo

Nova Acrônimo mira empresa que serviu para esquema da Odebrecht no BNDES

 Bené conta detalhes dos encontros de João Nogueira, executivo da Odebrecht que é um dos alvos da fase de hoje, com Eduardo Serrano, chefe de gabinete de Fernando Pimentel no Ministério da Indústria e Comércio,
Bené conta detalhes dos encontros de João Nogueira, executivo da Odebrecht que é um dos alvos da fase de hoje, com Eduardo Serrano, chefe de gabinete de Fernando Pimentel no Ministério da Indústria e Comércio
A nova fase da Acrônimo, colocada na rua pela PF desde o começo da manhã de hoje, mira uma empresa, a DM, que recebeu milhões da Odebrecht, mas era apenas uma fachada para o escoamento de propina para um agente público que facilitou a aprovação de financiamento para projetos da empresa no exterior.

A operação, que tem conduções coercitivas para depoimento e buscas e apreensões, se baseou em análises de documentos em poder da PF e na delação de Benedito Oliveira, o Bené, até agora o principal delator da Acrônimo.

Na delação, Bené conta detalhes dos encontros de João Nogueira, executivo da Odebrecht que é um dos alvos da fase de hoje, com Eduardo Serrano, chefe de gabinete de Fernando Pimentel no Ministério da Indústria e Comércio, no primeiro governo Dilma, para acertar propina de R$ 20 milhões para que o ministério (Camex) e o BNDES atendessem aos pedidos de financiamento da Odebrecht nas obras do metrô de Buenos Aires e em Moçambique. Bené também relatou o encontro que Marcelo Odebrecht e Pimentel tiveram em Brasília para tratar da propina.

Baseada em dois inquéritos, a operação de hoje também busca documentos e depoimentos para embasar um trecho da delação de Bené em que ele diz que foi achacado por servidores do Ministério da Saúde num contrato da Gráfica Brasil, de sua propriedade.

Nova fase da Acrônimo mira empréstimos do BNDES no exterior e desvios na Saúde

Operação investiga desvios de verbas públicas para vantagens indevidas a agentes públicos

BRASÍLIA – A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira mais uma fase da operação Acrônimo. O objetivo desta etapa é recolher elementos que possam ajudar a esclarecer a atuação de uma organização criminosa especializada na obtenção de benefícios junto ao Governo Federal por meio de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, com foco em fraudes no Ministério da Saúde e em financiamentos do BNDES. Estão sendo cumpridos 20 mandados judiciais determinados pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal, sendo 11 conduções coercitivas e nove mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Distrito Federal. Segundo o Blog do Lauro Jardim, a PF investiga os pedidos de financiamento da Odebrecht nas obras do metrô de Buenos Aires e em Moçambique.

As ações de hoje são um desdobramento da investigação que tramita no Superior Tribunal de Justiça. O magistrado relator do caso, Ministro Herman Benjamin, determinou o encaminhamento de parte da apuração à Justiça Federal de primeira instância, por não envolver investigados com prerrogativa de foro naquela Corte.

A operação está focada em dois inquéritos policiais que apuram dois eventos distintos da investigação. Um deles refere-se à cooptação e pagamento de vantagens indevidas para fraudar licitações no Ministério da Saúde, beneficiando gráfica da propriedade de um dos investigados.

O outro evento apurado é a interposição de empresa na negociação e pagamento de vantagens indevidas a agente público, para obtenção de financiamentos de projetos no exterior pelo BNDES (República Dominicana, Angola, Cuba, Panamá, Gana e México) no interesse de uma grande empreiteira do Brasil.

Estão sendo cumpridas uma condução coercitiva em São Paulo, cinco no Rio, uma em Minas e quatro no Distrito Federal. Além disso, foram expedidas pela Justiça quatro mandados de buscas e apreensão no Rio, duas em Minas e três no DF.

A Operação Acrônimo apura o que a PF diz ser um esquema de montagem de empresas para lavar dinheiro. A maior parte das empresas é considerada, pela PF, como de fachada. Elas teriam movimentado mais de R$ 500 milhões desde 2005, só em contratos com o governo federal. A Gráfica Brasil — principal empresa da família de Benedito — faturou R$ 465 milhões nesse período. Isso chamou a atenção dos investigadores. Outra empresa do grupo, chamada Due, faturou R$ 65 milhões em eventos. Parte do dinheiro pode ter sido doação para campanhas.

Nas buscas, foram aprendidos R$ 98 mil e US$ 5 mil. A assessoria da PF informou que, durante a operação, teria sido constatado que o grupo investigado continuou a atuar e por isso foi feita prisão em flagrante. A PF não esclareceu em que circunstância isso ocorreu. Ao todo, 12 carros foram apreendidos e estão na superintendência da PF em Brasília.

Segundo a PF, o grupo fazia transações com pequenas quantias para ficar fora do radar do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A técnica é batida e ganhou um apelido “smurffing”. O nome deriva do desenho Smurfs: criaturinhas que vivem numa aldeia mágica e conseguem passar despercebidas dos humanos.

 

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