CSA atrai grupos com operações no Brasil

CSA atrai grupos com operações no Brasil, Venda da Cia. Siderúrgica do Atlântico pode ser o grande negócio da siderurgia mundial este ano.

 CSA: siderugia

Fonte: Ivo Ribeiro – Valor Econômico

Venda da CSA poderá ser atraente a grupos locais

 

CSA atrai grupos com operações no Brasil, Venda da Cia. Siderúrgica do Atlântico pode ser o grande negócio da siderurgia mundial este ano.

CSA atrai grupos com operações no Brasil, Venda da Cia. Siderúrgica do Atlântico pode ser o grande negócio da siderurgia mundial este ano.

O patinho feio da siderurgia brasileira começa a ganhar penugem de cisne. A Cia. Siderúrgica do Atlântico (CSA), fábrica de aço da ThyssenKrupp Steel no Rio de Janeiro, que foi posta à venda em maio pelo grupo alemão, já é olhada com mais atenção por grupos com operações no Brasil.

Essa operação, que vai ser acelerada a partir de agosto, com o início de contatos com os potenciais interessados, promete ser o grande negócio da siderurgia mundial neste ano. Mesmo com a depressão global da demanda e dos preços do aço por causa da crise da União Europeia e da desaceleração da economia chinesa, alguns bilhões de dólares estarão em jogo nas negociações.

A CSN, controlada por Benjamin Steinbruch, um consórcio liderado por Ternium, Nippon SteelUsiminase o grupo Gerdau não vão deixar passar em branco a oportunidade de pelo menos avaliar essa aquisição – outra com esse perfil não deverá surgir tão cedo no país. Tudo vai depender, disseram especialistas ao Valor, das potenciais sinergias que a CSA possa oferecer às operações que esses fabricantes têm no Brasil e fora do país, como terminal portuário, geração de energia e complementação de produtos.

Goldmans Sachs buscará interessados no Brasil e China; o Morgan Stanely, no Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Europa
Uma visão consensual é que comprar a siderúrgica apenas para disputar o mercado mundial de placas (seu produto final) é entrar no negócio para perder dinheiro. A usina, cuja instalação custou mais de US$ 7 bilhões, teria de estar amarrada a uma estratégia operacional e de mercado.

Provavelmente, à primeira vista, ninguém estará disposto a desembolsar algo como ? 2,7 bilhões, valor estimado pelo Citigroup Global Markets para a ThyssenKrupp Steel Americas, subsidiária do grupo alemão que opera a CSA e sua co-irmã do Alabama (laminadora montada em operação casada com a usina do Brasil). O relatório do banco lança dúvidas até sobre o futuro da ThyssenKrupp Steel Europe e alerta que a venda dos dois ativos não será uma operação fácil.

Justamente por estar perdendo dinheiro, a Thyssen quer se livrar desses ativos. Na CSA, tem 73% do capital e é a controladora e operadora. Sua sócia, a brasileira Vale, tem os demais 27% e é a fornecedora do minério de ferro, em contrato cativo que vigora até 2024.

A ThyssenKrupp anunciou a decisão de venda da subsidiária em meados de maio. Em junho, contratou dois bancos de investimento – Goldman Sachs e Morgan Stanley – para conduzir o processo. No início de agosto, os bancos começam a receber propostas dos interessados e a expectativa do grupo alemão é concluir a venda dos dois ativos até o fim de setembro ou começo de outubro, apurou o Valor com fontes a par do trâmites dessa operação.

A CSA fechou o exercício fiscal de 2011 com quase R$ 8 bilhões de prejuízo. Desde que foi inaugurada em 2010 não conseguiu operar na plena capacidade de 5 milhões de toneladas de placas ao ano devido a problemas nas instalações. A previsão é que alcance o pico até o meio de 2013. No ano passado fez 3,2 milhões de toneladas de placas, com receita bruta de R$ 3,36 bilhões.

Avaliações de analistas mostram que no atual cenário da siderurgia mundial – excesso de oferta, preços retraídos, fechamentos de fábricas na Europa e esfriamento da demanda -, as perdas da ThyssenKrupp Steel Américas tendem a ser novamente altas neste ano, indo até 2014.

O Citigroup estima Ebit (lucro operacional antes de resultado financeiro e impostos) negativo de ? 956 milhões neste ano, ? 457 milhões em 2013 e ? 163 milhões em 2014 para a subsidiária. No ano passado, o resultado foi acima de ? 1,5 bilhão negativo e impactou o balanço do grupo.

O valor de venda de? 2,7 bilhões atribuído para a subsidiária significa uma baixa da ordem de ? 4 bilhões no valor do investimento na ThyssenKrupp Steel Americas. O preço poderia ser menor. Nos seus cálculos, os analistas atribuíram valor de ? 438 milhões à capacidade excedente de 290 megawatts (MW) de geração de energia na termelétrica da CSA, com potência de 490 MW.

Os bancos vão buscar candidatos em todo o mundo: o Goldman Sachs ficou com Brasil e China, enquanto o Morgan Stanley tentará atrair interessados na América do Sul (exceto Brasil), EUA, Europa, Coreia do Sul e Japão.

Mas quem pode surpreender, justamente pelas sinergias que oferece a CSA, é um possível consórcio de Ternium, Nippon e Usiminas, avaliam fontes do setor. A Ternium tem déficit de 3 milhões de toneladas de placas por ano para suprir suas laminações no México e Sul dos EUA. A Usiminas, que também passa a ter ociosidade de laminação na usina de Cubatão (SP), ganharia um terminal portuário – o da CSA é para embarcar aço e receber carvão, mas com investimentos adicionais poderia ter um berço para exportar minério de ferro. Também ganharia excedente de energia, hoje um de seus gargalos. A Nippon tem ociosidade de laminação em suas usinas.

É certo que hoje a Ternium luta para acertar a situação deficitária da Usiminas, depois de desembolsar R$ 5 bilhões por 14% da siderúrgica. Mas, com a CSA, substituiria o projeto de US$ 5 bilhões no porto Açú (RJ), ainda no papel.

Para a CSN, que já declarou sua intenção de avaliar a CSA e tem um time já estudando a siderúrgica da Thyssen, a CSA cairia como uma luva se a Vale não tivesse o contrato de longo prazo de suprimento de minério de ferro. Com minério da sua mina Casa de Pedra, a custo baixo, poderia reduzir bastante seu custo de produção.

A Gerdau, no momento, está envolvida na atração de um investidor para sua mina de ferro. Capitalizada, poderá voltar os olhos para a CSA, ainda mais se o preço se tornar atrativo e correr o risco de cair em mãos de concorrentes.

Fontes estimam que a Thyssen, diante das perdas, vai se desfazer do ativo por menos de US$ 2 bilhões, incluindo sua dívida.

CSA: siderúrgica – Link da matéria: http://www.valor.com.br/empresas/2757058/venda-da-csa-podera-ser-atraente-grupos-locais

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