Minas Gerais não terá mais polo acrílico da Petrobras
Fonte: O Tempo
Mudança. Estatal passa gestão do projeto para Braskem, que sinaliza intenção de construir em Camaçari
Governo de Minas e empresários ainda tentam segurar o investimento
O polo acrílico de R$ 600 milhões que a Petrobras prometeu construir em Minas Gerais deve ir mesmo para a Bahia. Ontem, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, disse que, por mudanças estratégicas, a estatal repassou a gestão dos investimentos petroquímicos para a Braskem e, portanto, ele não pode mais responder pelos planos nessa área, embora tenha 40% de participação na empresa. “A Braskem já tem uma planta petroquímica em Camaçari, na Bahia, e vai avaliar a sinergia para este investimento. É ela quem vai falar, eu não posso mais comentar esse assunto”, afirmou Gabrielli.
Anteontem, a Elekeiroz, provável parceira da Braskem para essa fábrica, publicou pedido de licença de instalação para a unidade em Camaçari. Apesar das avançadas negociações, o governador Antonio Anastasia e o empresariado mineiro ainda têm esperanças e prometem procurar a Braskem para conversar. “Se eles já tivessem instalado a fábrica, talvez fosse mais difícil, mas é igual a casamento, pode ser desmanchado no altar. Não é por conta de um pedido de licença ambiental que vamos nos dar por vencido”, afirmou o presidente da Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado.
Anastasia também disse que está disposto a procurar a Braskem. “A notícia sobre o polo acrílico não é boa neste momento, já que a responsabilidade agora não é mais da Petrobras, mas vamos continuar empenhando um grande esforço para trazer este investimento fundamental para Minas, e contaremos com apoio da Petrobras, que tem participação importante nessa empresa, e do governo federal, na pessoa do ministro Fernando Pimentel e da bancada de deputados e dos senadores”, ressaltou o governador.
A reportagem procurou a Braskem, mas nenhum porta-voz foi encontrado para explicar os motivos que fizeram Minas Gerais ser preterida em relação à Bahia.
Segundo uma fonte do governo baiano, um dos possíveis motivos é o fato de a Braskem já ter um polo petroquímico consolidado em Camaçari, o que facilitaria o fornecimento de matéria-prima. Com a mudança de planos, Minas Gerais vai perder um investimento que, na época em que o protocolo de intenções foi assinado entre Estado e Petrobras – em 2005 – tinha um faturamento anual estimado em US$ 240 milhões.
Fatia menor
Estado terá apenas 1,5% dos recursos da petrolífera
Dos US$ 224 bilhões que a Petrobras vai investir no Brasil até 2014, Minas Gerais só receberá US$ 3,5 bilhões. Apesar de ser apenas 1,5% do total, as empresas mineiras poderão lucrar, se conseguirem fornecer para a estatal. Para fomentar os mineiros a aproveitarem essas oportunidades, o governador Antonio Anastasia anunciou ontem a criação do Comitê Estadual para o Desenvolvimento do Petróleo e Gás.O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, que se reuniu ontem com empresários e o governo de Minas, afirmou que, atualmente, 187 empresas mineiras já estão cadastradas como fornecedoras da Petrobras e mais 140 têm condições técnicas para participar dessa cadeia.
“Minas tem tradição em setores como mineração, siderurgia, eletroeletrônica, mecânica, construção pesada, e as empresas daqui podem, perfeitamente, focarem a entrada nesses segmentos novos, que são de petróleo e gás, para atender as compras da Petrobras no Brasil inteiro”.
Regap. Dos US$ 3,5 bilhões previstos para Minas, R$ 1,29 bilhão serão destinados à Refinaria Gariel Passos (Regap), em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. “Os grandes investimentos para a Regap não são em expansão, mas para unidades de hidrotratamento, com objetivo de retirar enxofre do diesel produzido. Isso é fundamental para cumprir as exigências ambientais”, destacou Gabrielli. (QA)
Lamento
Bancada mineira acha que Minas foi relegada a 2º planoOs deputados mineiros reagiram mal ao anúncio de que o polo acrílico será construído na Bahia. O presidente da Assembleia Legislativa, Dinis Pinheiro (PSDB), afirmou que lamenta a decisão da empresa de não garantir a instalação em Minas Gerais de uma fábrica de ácido acrílico.
“Minas foi relegada ao segundo plano. Minha tristeza é dupla, por Minas e por Ibirité, minha cidade, onde seria instalada a fábrica”, afirmou. Pinheiro relembrou que há cinco anos a Petrobras assinou um protocolo de intenções, no Palácio da Liberdade, durante o governo Aécio Neves, para que fossem realizados investimentos em Minas Gerais, sendo que a construção da fábrica em Ibirité estava orçada em R$ 600 milhões.
A bancada federal organizaram um abaixo-assinado e pediram uma audiência com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. “Eu posso até recebê-los, mas direi a mesma coisa: agora quem tem que responder por essa decisão é a Braskem, que é responsável pela área petroquímica”, afirmou Gabrielli.
Petrobras anuncia que não instalará polo acrílico em Minas, estatal descumpre protocolo assinado com Governo mineiro em 2005, bancada protesta
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